terça-feira, 23 de abril de 2013

Alguém tem que fazer!


O casal se casa todo feliz. Aproveita a lua de mel. Quando retorna para casa, começam a lidar com a vida a dois. E o interessante é que passam três dias, e o lixo da casa vai se acumulando. Nenhum dos dois parece tomar iniciativa. Finalmente, com raiva na voz, o marido diz: “Acho que vou ter que levar o lixo para fora”. A esposa responde: “Pensei que você nunca iria fazer isso!”. E inicia-se naquele momento uma discussão que demora para ser resolvida. Qual é o problema? O que aconteceu?

A questão ali é decidir quem dos dois faz o quê! Vamos dizer que nesse caso específico apresentado acima, na casa dos pais do marido, a mãe era responsável por levar o lixo para fora. Já na casa da esposa, quem cuidava disso era o pai dela. Assim, quando ambos se casam, têm a expectativa de que o que aconteceu na casa de seus pais irá se repetir. E, à medida que o tempo passa, e as coisas não são como eram na casa dos pais, os dois começam a nutrir sentimentos sobre a outra pessoa não ser tão responsável, ou não ser tão cuidadosa do bem-estar familiar, como poderia parecer. Ou seja, ambos começam a pensar mal do cônjuge, porque ele/ela não faz o que “marido/esposa devia fazer”.

O problema é que a grande maioria das pessoas entra no casamento sem definir anteriormente quem vai fazer o quê! Eles não param para conversar sobre o que ambos pensam, acreditam e esperam que a outra pessoa faça. O que existe é uma crença interior de que a outra pessoa deve saber naturalmente o que se espera dela, afinal, todo mundo sabe o que o marido ou a esposa devem fazer.

Escrevo esse artigo para lembrar aos casais de que ambos precisam conversar sobre o que se espera deles. Se vocês são casados há muito tempo, podem ter certeza de que muitas dessas expectativas já se perderam num mar de ressentimento, ou de mal-estar. Vocês já devem tem brigado muito por coisas aparentemente sem importância, porque não perceberam que o problema não era aquilo, mas a crença sobre o que cada um precisaria fazer.

Se vocês são um casal em começo de casamento, podem ter certeza de que é muito importante conversar logo sobre essas coisas, antes que os mal-entendidos se multipliquem e vocês acabem por deixar que pequenas coisas criem um muro de separação entre vocês.

Manual da vida de casados

Todas as pessoas, ao se casarem, carregam consigo a expectativa do que significa ser marido e ser esposa. O problema é que achamos que todo mundo entende isso. O que não percebemos é que essas ideias são constituídas a partir de nossas experiências com nossos pais e outras pessoas significativas com quem nos comunicamos. Aprendemos também por meio de livros, palestras, etc. Ou seja, aprendemos em nossa infância, juventude e fase adulta o que como deve ser a vida de casados.

Outra fonte através da qual formamos nosso conceito sobre o papel de homem e mulher é o que pensamos sobre o masculino e o feminino. A velha pergunta: “O que é coisa de homem fazer? O que a mulher deve fazer?” vai se constituindo na maneira pela qual entendemos o que a esposa e o marido devem fazer. Conheço um casal cujo marido nunca se serve à mesa. Ele sempre espera que a mulher coloque a comida no prato e leve para ele. Eles andam passando por uma crise, porque agora, ela começou a trabalhar, e também está exigindo que ele a sirva.

Um fator que contribui para formar nossa filosofia sobre o homem e a mulher são as crenças religiosas. Muitos usam o texto sobre sujeição da esposa ao homem para justificar seus atos de ditadura para com a mulher. Ainda vou escrever um artigo sobre isso, mas já quero deixar claro que essa é uma interpretação parcial, não bíblica, e incompleta. O texto fala muito mais que isso. Mas discutirei isso mais tarde.

Quando nos casamos, é como se cada um de nós levasse consigo um manual contendo definições precisas sobre o que o homem ou mulher devem fazer na vida a dois. O problema é que tanto o homem quanto a mulher têm esse manual em sua mente. E por isso, o que um pensa que é trabalho de homem, o outro pode pensar que é trabalho da mulher. Com isso, quando não esclarecemos essa expectativa, temos a tendência de nos separarmos emocionalmente, por meio de mágoas e ressentimentos, ou porque pensamos que a outra pessoa não presta, ou não é responsável.

Papéis e Sociedade Atual

Mas não precisa ser assim. O que precisamos lembrar é que antigamente, nos casamentos dos tempos passados, era muito claro o que cada um devia fazer: o homem era o responsável por trazer o alimento para  casa e pagar as contas. A mulher deveria ficar em casa, cuidar dos afazeres doméstico e criar os filhos.

Contudo, com o passar do tempo, nossa sociedade mudou. Atualmente, tanto o homem quanto a mulher estão presentes no mercado de trabalho. Ambos partilham da responsabilidade de prover o ganho financeiro da família. O problema é que muitos homens se recusam a entender que eles também são responsáveis pelas atividades tanto na manutenção da limpeza e cuidado do lar quanto na de educar filhos.

Os homens em geral gostam da ajuda da mulher na questão financeira, mas não se preocupam em oferecer a ajuda também na questão doméstica. Assim, muitas mulheres acabam por desempenharem outro turno de trabalho quando chegam em casa. Não precisa ser assim.

Uma boa maneira de resolvermos essa questão é, em primeiro lugar, entendermos quais são as habilidades de cada pessoa. Saber o que cada um dos cônjuges faz de melhor ajuda na hora da escolha sobre o que cada um vai fazer. Conheço um casal cujo marido é sempre quem faz a comida, pois ele cozinha muito melhor que a esposa. Ambos trabalham fora, ambos têm suas carreiras, e ambos dividem as tarefas de acordo com o que sabem fazer de melhor.

Outra sugestão é entender as preferências e aversões dos dois. O que ambos gostariam de fazer, e o que ambos não fariam de jeito nenhum. Às vezes, ambos não vão querer fazer a mesma coisa. Nesse caso, é importante que cheguem num acordo, ambos cedendo de alguma maneira.

Uma terceira dica, uma proposta prática, é ambos fazerem uma lista sobre o que eles acham que o homem deve fazer, e o que acham que a mulher deve fazer. Então, juntar as listas, ver quais são as coisas em comuns, definir isso como o papel de cada um, e nas coisas com opiniões diferentes, procurem chegar a um consenso, sendo capazes de ceder em alguns pontos em prol da relação.

É muito importante que aja esse momento de conversa, pois sem isso, não vai ser possível de superar esse tipo de conflito na vida a dois.

Agora, um último detalhe: concluir essa tarefa não significa que vocês estejam presos à essa atividade pelo resto da vida. Significa que vocês vão começar desse jeito, mas depois podem sentar e discutir novamente qual a melhor maneira de lidarem com a questão, ou que coisas não são capazes de fazer de maneira nenhuma.

O importante é que vocês procurem desenvolver a capacidade de negociação entre os dois, para que isso seja um padrão de resolução de conflito na vida de vocês.

Que Deus abençoe sua família,

Osmar Reis Junior

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